quinta-feira, 30 de março de 2017

Sexta-feira (31/3) tem mobilização contra o desmonte de Temer e esquenta para greve geral

As Estaduais da CUT dos 26 Estados do Brasil e do Distrito Federal farão nesta sexta-feira (31/3) um Dia Nacional de Mobilização contra o desmonte da aposentadoria e da CLT e para impedir a sanção pelo governo Temer do Projeto de Lei 4302/1998, aprovado por 231 deputados no último dia 22.


Além de liberar a terceirização para todas as áreas das empresas, ao aprovar o PL 4302, os deputados aprovaram também o aumento dos prazos dos contratos temporários de três meses para 180 dias, prorrogável por mais 90 dias. Isso significa um contrato de trabalho de nove meses ou mais sem direitos trabalhistas como, seguro-desemprego, estabilidade para gestantes e verbas rescisórias como o aviso prévio e os 40% de multa do FGTS.

E na semana que vem os deputados da base do governo Temer se preparam para votar o fim das aposentadorias.

No Ceará, a principal manifestação ocorrerá em Fortaleza. A concentração começará às 15 horas, na Praça Clóvis Beviláqua (também conhecida como Praça da Bandeira), no Centro, em frente à Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC). A Frente Brasil Popular - Ceará e Povo Sem Medo estão mobilizando suas bases e convocando a população.  
Em São Paulo, tem atos a partir das 16h, na Avenida Paulista, em frente ao MASP; e na Praça do Patriarca, onde estarão os professores Municipais. Depois, todos sairão em passeata até a Praça da República, onde se encontrarão às 18h.

O Dia Nacional de Mobilização está sendo organizado em conjunto com a CTB, a Intersindical e as entidades que formam as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. É um “esquenta” para a greve geral do dia 28 de abril.

Na avaliação do presidente Nacional da CUT, Vagner Freitas, tirar a Dilma era só o primeiro passo do golpe, os outros, e mais importantes, eram acabar com a proteção social e os direitos da classe trabalhadora.

“É por isso que os empresários financiaram o golpe. E é também por isso que Temer tem pressa em tirar a pele do trabalhador brasileiro com as reformas da Previdência e Trabalhista, com terceirização geral e irrestrita e contratos temporários de até nove meses, como prevê o texto do PL 4302, aprovado na Câmara dos Deputados. O mercado deu um prazo para ele, ou aprova o desmonte dos direitos ou cai fora”.

Para ele, ao invés de tirar direitos, governo tem de propor medidas que estimulem o crescimento econômico, a formalização do trabalho, o crescimento da produtividade e o aumento das receitas da Previdência.

“Os projetos de desmonte da aposentadoria e da CLT de Temer não geram emprego nem resolvem o ‘suposto’ rombo da Previdência, como diz o governo. O que gera emprego é um projeto de desenvolvimento inclusivo, com investimentos em infraestrutura, inovação tecnológica e aumento de produtividade.”

Vagner rebate os argumentos de Temer e dos deputados de que as reformas são necessárias para modernizar a lei e garantir mais empregos e impedir a falência da Previdência. Para o dirigente, “a ampliação da terceirização vai multiplicar as formas de trabalhos precários, com salários baixos, fim de benefícios como vale refeição, auxílio creche e outros; vai aumentar ainda mais a rotatividade e os acidentes nos locais de trabalho; vai estimular a “pejotização” e a criação de MEIs. O que teremos cada vez menos é trabalhador contribuindo com o INSS”.



terça-feira, 28 de março de 2017

CENTRAIS SINDICAIS ORGANIZAM NOVA PARALISAÇÃO CONTRA REFORMAS DE TEMER

Rasgaram a carteira de trabalho e a CLT”, definiu José Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical, sobre a aprovação do PL. “A Câmara autorizou formas de se burlar a CLT”, afirmou Wagner Gomes, secretário-geral da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

De acordo com o texto aprovado na Câmara, todas as modalidades de terceirização serão aceitas. É o fim da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que proibia a terceirização na atividade-fim. Se um banco terceirizasse funções não poderia terceirizar o bancário, por exemplo. A terceirização poderia ser feita a outras funções como limpeza, segurança. O 4302 anula a Súmula 331.
O PL 4302 também permite a chamada pejotização, que acontece quando a empresa obriga o empregado a criar pessoa jurídica em seu nome para que receba salário como se fosse prestador de serviços. Especialistas em direito do trabalho afirmam que a prática viola a legislação trabalhista. Os contratos temporários também serão estendidos de 90 para 180 dias.
Exército de terceirizados
Na opinião de Wagner, se o PL 4302 for sancionado por Michel Temer como está, o empresariado terá permissão para alterar férias, 13º, hora-extra com base na lei. “O efeito imediato é que o empresariado vai demitir quem tem carteira assinada e colocar no lugar um terceirizado ganhando menos e em condições piores”, comparou.
O Brasil tem atualmente 12 milhões de trabalhadores terceirizados. De acordo com a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) corre-se o risco de esse número aumentar com a aprovação do PL 4302.
Terceirizados trabalham em média 3 horas a mais que os empregados diretos, além de ficarem em média 2,7 anos no emprego intermediado, enquanto os contratados permanentes ficam em seus postos de trabalho, em média, por 5,8 anos. De dez acidentes de trabalho, 8 acontecem com terceirizados. A Anamatra divulgou nota pedindo o veto do PL.
Golpe
Em nota divulgada no site nesta quinta, a União Geral dos Trabalhadores (UGT) classificou a aprovação da terceirização total como um golpe contra os trabalhadores. “O governo erra, de maneira abominável, se não olhar os dois lados da sociedade e se aperceber que é a grande massa trabalhadora que movimenta o país, e que neste momento encontra-se muito preocupada com mudanças que não a incluem.”
O presidente Nacional da CUT, Vagner Freitas, afirmou ao site da entidade que o PL 4302 foi um jeito rápido de tirar direito do trabalhador, diminuir investimentos sociais do governo e das empresas.
O dirigente fez uma comparação com a reforma da Previdência. “Como alguém vai se aposentar se não vai mais contribuir com os contratos temporários? Os jovens nem vão ter a experiência de ter seus direitos garantidos”, mencionou Vagner.
Para Wagner Gomes, o empresariado nacional sempre sonhou em diminuir os custos da mão de obra, considerada por eles a mais cara do mundo. “Não é verdade o que eles dizem, mas o que os empresários querem fazer agora é utilizar da lei se for sancionada para substituir os contratos e contratar através da terceirização por um salário lá embaixo, sem os benefícios que a empresa possa fornecer.”
Entre os movimentos das centrais está a negociação com líderes do governo sobre o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 30, antigo 4330, que poderá ser votado no Senado. O PLC tem o apoio do senador Paulo Paim e possui pontos que, segundo Juruna, amenizam o texto aprovado na Câmara. As centrais também trabalham para que Temer vete o 4302, além de considerar recurso jurídico contra o PL.
A força da mobilização
A data da paralisação será definida pelas centrais em reunião nesta segunda-feira (27). No dia seguinte, os dirigentes se reúnem com o líder do governo no Senado, Romero Jucá, para tratar do PLC 30.
“Vamos buscar a negociação mas acreditamos que a possibilidade de surtir algum efeito é os trabalhadores saírem às ruas para defender os seus direitos que estavam na CLT e a Previdência. E a greve geral é um dos itens que vai ser colocado”, esclareceu Wagner Gomes.
Segundo Juruna, as centrais “apostam que é necessário e fundamental para o futuro das negociações uma demonstração de força de todos os trabalhadores e trabalhadoras. E vamos trabalhar para que isso aconteça no final de abril”.
Wagner Gomes avaliou que a própria base do governo Temer está acuada. Na votação desta quarta o placar de 231 a 188 mostrou que o governo tem dificuldades em aprovar as reformas.
“Essa matéria (PL 4302) marcaram na sexta e votaram na terça. Isso demonstra que esse governo é dose para cavalo. Correm o risco de não conseguir aprovar a Previdência, estão tendo dificuldades. A mobilização pode agravar a dificuldade do governo. Por isso estaremos nas ruas com manifestações até a data da votação, incluindo uma possível greve geral”, enfatizou o dirigente da CTB.
Veja a nota das centrais sindicais  

A terceirização aprovada condena o trabalhador à escravidão
É inaceitável!
O projeto de terceirização, PL 4302/98, aprovado nesta quarta-feira, dia 22, é um retrocesso e acaba com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Com mais de 12 milhões de desempregados, o trabalhador não pode ser ainda mais penalizado pelo governo para resolver a grave crise político/econômica do País.
Essa terceirização promove uma reforma trabalhista e sindical. Aumenta a insegurança jurídica, acaba com os direitos trabalhistas, divide as categorias e permite que o setor patronal faça o que bem entender com os sindicatos dos trabalhadores.
O trabalhador ganhará menos, trabalhará mais e ficará exposto a acidentes de trabalho. O governo Temer e o Congresso Nacional atendem somente a interesses da classe empresarial.
As centrais sindicais condenam o projeto da forma que foi aprovado. Seguimos firmes na organização de nossas bases, cobrando a abertura de negociações e a manutenção da proibição de terceirização na atividade fim.
As centrais sindicais reiteram todos os esforços de mobilização dos trabalhadores, mas afirmam estar abertos ao dialogo.
Paulo Pereira da Silva (Paulinho)
Presidente da Força Sindical
Vagner Freitas
Presidente da CUT
Ricardo Patah
Presidente da UGT
Adilson Araújo
Presidente da CTB
José Calixto Ramos
Presidente da Nova Central
Antonio Neto
Presidente da CSB

São Paulo, 23 de março de 2017