Rasgaram
a carteira de trabalho e a CLT”, definiu José Carlos Gonçalves, o Juruna,
secretário-geral da Força Sindical, sobre a aprovação do PL. “A Câmara
autorizou formas de se burlar a CLT”, afirmou Wagner Gomes, secretário-geral da
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).
De acordo
com o texto aprovado na Câmara, todas as modalidades de terceirização serão
aceitas. É o fim da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que
proibia a terceirização na atividade-fim. Se um banco terceirizasse funções não
poderia terceirizar o bancário, por exemplo. A terceirização poderia ser feita
a outras funções como limpeza, segurança. O 4302 anula a Súmula 331.
O PL 4302
também permite a chamada pejotização, que acontece quando a empresa obriga o
empregado a criar pessoa jurídica em seu nome para que receba salário como se
fosse prestador de serviços. Especialistas em direito do trabalho afirmam que a
prática viola a legislação trabalhista. Os contratos temporários também serão
estendidos de 90 para 180 dias.
Exército de terceirizados
Na
opinião de Wagner, se o PL 4302 for sancionado por Michel Temer como está,
o empresariado terá permissão para alterar férias, 13º, hora-extra com base na lei.
“O efeito imediato é que o empresariado vai demitir quem tem carteira assinada
e colocar no lugar um terceirizado ganhando menos e em condições piores”,
comparou.
O Brasil
tem atualmente 12 milhões de trabalhadores terceirizados. De acordo com a Associação
Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) corre-se o risco de
esse número aumentar com a aprovação do PL 4302.
Terceirizados
trabalham em média 3 horas a mais que os empregados diretos, além de ficarem em
média 2,7 anos no emprego intermediado, enquanto os contratados permanentes
ficam em seus postos de trabalho, em média, por 5,8 anos. De dez acidentes de
trabalho, 8 acontecem com terceirizados. A Anamatra divulgou nota pedindo o
veto do PL.
Golpe
Em nota
divulgada no site nesta quinta, a União Geral dos Trabalhadores (UGT)
classificou a aprovação da terceirização total como um golpe contra os
trabalhadores. “O governo erra, de maneira abominável, se não olhar os dois
lados da sociedade e se aperceber que é a grande massa trabalhadora que
movimenta o país, e que neste momento encontra-se muito preocupada com mudanças
que não a incluem.”
O
presidente Nacional da CUT, Vagner Freitas, afirmou ao site da entidade que o
PL 4302 foi um jeito rápido de tirar direito do trabalhador, diminuir investimentos
sociais do governo e das empresas.
O
dirigente fez uma comparação com a reforma da Previdência. “Como alguém vai se
aposentar se não vai mais contribuir com os contratos temporários? Os jovens
nem vão ter a experiência de ter seus direitos garantidos”, mencionou Vagner.
Para
Wagner Gomes, o empresariado nacional sempre sonhou em diminuir os custos da
mão de obra, considerada por eles a mais cara do mundo. “Não é verdade o que
eles dizem, mas o que os empresários querem fazer agora é utilizar da lei se
for sancionada para substituir os contratos e contratar através da
terceirização por um salário lá embaixo, sem os benefícios que a empresa possa
fornecer.”
Entre os
movimentos das centrais está a negociação com líderes do governo sobre o
Projeto de Lei da Câmara (PLC) 30, antigo 4330, que poderá ser votado no
Senado. O PLC tem o apoio do senador Paulo Paim e possui pontos que, segundo
Juruna, amenizam o texto aprovado na Câmara. As centrais também trabalham para
que Temer vete o 4302, além de considerar recurso jurídico contra o PL.
A força da mobilização
A data da
paralisação será definida pelas centrais em reunião nesta segunda-feira (27).
No dia seguinte, os dirigentes se reúnem com o líder do governo no Senado,
Romero Jucá, para tratar do PLC 30.
“Vamos
buscar a negociação mas acreditamos que a possibilidade de surtir algum efeito
é os trabalhadores saírem às ruas para defender os seus direitos que estavam na
CLT e a Previdência. E a greve geral é um dos itens que vai ser colocado”,
esclareceu Wagner Gomes.
Segundo
Juruna, as centrais “apostam que é necessário e fundamental para o futuro das
negociações uma demonstração de força de todos os trabalhadores e
trabalhadoras. E vamos trabalhar para que isso aconteça no final de abril”.
Wagner
Gomes avaliou que a própria base do governo Temer está acuada. Na votação desta
quarta o placar de 231 a 188 mostrou que o governo tem dificuldades em aprovar
as reformas.
“Essa
matéria (PL 4302) marcaram na sexta e votaram na terça. Isso demonstra que esse
governo é dose para cavalo. Correm o risco de não conseguir aprovar a
Previdência, estão tendo dificuldades. A mobilização pode agravar a dificuldade
do governo. Por isso estaremos nas ruas com manifestações até a data da
votação, incluindo uma possível greve geral”, enfatizou o dirigente da CTB.
Veja a nota das centrais sindicais
A
terceirização aprovada condena o trabalhador à escravidão
É
inaceitável!
O projeto
de terceirização, PL 4302/98, aprovado nesta quarta-feira, dia 22, é um
retrocesso e acaba com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Com mais
de 12 milhões de desempregados, o trabalhador não pode ser ainda mais
penalizado pelo governo para resolver a grave crise político/econômica do País.
Essa
terceirização promove uma reforma trabalhista e sindical. Aumenta a insegurança
jurídica, acaba com os direitos trabalhistas, divide as categorias e permite
que o setor patronal faça o que bem entender com os sindicatos dos
trabalhadores.
O
trabalhador ganhará menos, trabalhará mais e ficará exposto a acidentes de
trabalho. O governo Temer e o Congresso Nacional atendem somente a interesses
da classe empresarial.
As
centrais sindicais condenam o projeto da forma que foi aprovado. Seguimos
firmes na organização de nossas bases, cobrando a abertura de negociações e a
manutenção da proibição de terceirização na atividade fim.
As
centrais sindicais reiteram todos os esforços de mobilização dos trabalhadores,
mas afirmam estar abertos ao dialogo.
Paulo
Pereira da Silva (Paulinho)
Presidente da Força Sindical
Presidente da Força Sindical
Vagner
Freitas
Presidente da CUT
Presidente da CUT
Ricardo
Patah
Presidente da UGT
Presidente da UGT
Adilson
Araújo
Presidente da CTB
Presidente da CTB
José
Calixto Ramos
Presidente da Nova Central
Presidente da Nova Central
Antonio
Neto
Presidente da CSB
Presidente da CSB
São
Paulo, 23 de março de 2017

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