Milhares de mulheres negras marcharam em Brasília
contra todas as formas de discriminação e violência de gênero. CUT-CE marcou
presença
O dia 18 de novembro de 2015 foi
um marco na história pela igualdade racial no Brasil. Milhares de mulheres
negras, quilombolas, indígenas e yalorixás abriram a primeira edição da Marcha
das Mulheres Negras, em Brasília, e denunciaram na capital federal a
intolerância religiosa e o racismo.
Diante do Congresso Nacional,
mesmo com provocada dos golpistas que pedem a volta da ditadura militar e estão
acampados na Esplanada dos Ministérios, a marcha não se intimidou e seguiu em
resistência.
A marcha foi uma iniciativa de
diversas organizações, entre elas, a CUT e coletivos do Movimento de Mulheres
Negras e do Movimento Negro, além de contar com o apoio de importantes
intelectuais, artistas e ativistas.
O evento teve início às 9h, no
Ginásio Nilson Nelson, e seguiu até o Congresso Nacional. Eram turbantes,
tranças e as cores da África que marcavam a identidade da manifestação e
ajudavam a dar corpo ao grito pelo fim do extermínio da juventude negra, contra
a maioridade penal, pelos direitos das mulheres e por mais políticas públicas
voltadas para negras.
A marcha também homenageou
importantes personalidades negras como Dandara, Zumbi dos Palmares, Nelson
Mandela, Carolina de Jesus, Lélia Gonzalez. Por volta das 13h53, as mulheres
ocuparam o Congresso Nacional aos gritos de "Fora, Cunha".
Dona Aideê Nascimento, 61, candomblecista, do
quilombo Portão, município baiano, está na luta contra a discriminação há
vários anos, mas levou para a marcha esperanças de dias melhores.
"Aos poucos estamos conseguindo a nossa fala e enfrentando a intolerância
de todo tipo. Inclusive nos terreiros e nas comunidades quilombolas, onde ainda
não conseguimos viver com dignidade", disse.
Para Andreia Roseno, da Marcha
Mundial de Mulheres, a manifestação faz história no País, porque mostra que o
silêncio não é mais uma realidade para elas. “Não queremos mais conviver com as
opressões do racismo, do patriarcado e com capitalismo que coloca a nossa vida de
forma mercadológica".
Quem caminhava por dentro da marcha percebia a
diversidade de línguas e de cultura representadas. A indígena Thiaia Ramos, 32,
da tribo Pato do Hahahahi, foi mostrar que as mulheres negras indígenas não
podem ser invisibilizadas. "Estamos lutando por um só objetivo porque
somos um povo só e falamos a mesma língua. Sempre dizem que nós (indígenas) só
comemos abobora", afirma.
No país de maior população negra
fora da África, a falta de representatividade de negros na mídia, na política e
no Judiciário também foram temas de manifestação.
Ainda durante o ato, a secretária
nacional de Combate ao Racismo da CUT, Maria Julia Nogueira, afirmou que a
marcha é a realização de um sonho e de uma luta histórica da central. "A
CUT diz que é preciso não aceitar mais o racismo. A democracia só vai se
consolidar quando a sociedade não permitir o racismo. Vamos dizer a esse
Congresso machista e racista que a discriminação racial não dá mais nesse
país".
"Hoje as mulheres negras
mostram para o mundo e para o Brasil a nossa força e resistência. Dizemos ainda
que queremos estar em todos os lugares. É importante marchar pela
implementações de políticas públicas para as negras", afirmou Nilma Lino
Gomes, Ministra das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos.
Ceará faz parte dessa história
A CUT-CE
foi representada na Marcha por duas diretoras executivas: Ozaneide de
Paula (Mulher Trabalhadora) e Adryely de Sousa (Juventude). Bastante
emocionada, a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) afirmou que era um
momento histórico porque a marcha traz a marca e o suor de cada movimento, das
donas de casa que conseguiram adquirir um diploma universitário.



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